Itaerci
Promoter-Biodanceira-Estudante de História

Entrevista com o primeiro casal homoafetivo a se casar no civil, no Brasil.

Publicado em 17/05/2012

Em homenagem ao Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia, entrevistamos Luiz André Moresi e Sérgio Kauffmam, o primeiro casal homoafetivo a se casarem no civil, no Brasil , no dia 17 de Maio de 2011, na cidade de São Paulo.Em entrevista exclusiva para o site Vibemix, o casal  relata um pouco de suas experiências de vida conjugal.

 

 

VM-Nove anos de relação estável, um ano de oficialização, a felicidade ainda está à flor da pele com essa tão sonhada conquista?

LA-Sim, acordamos todos os dias com a sensação que foi ontem que tudo aconteceu. Em 17 de maio assinamos o documento de União Estável, depois da decisão histórica do STF e logo depois, dia 28 de junho, dia histórico, celebramos o nosso casamento civil. Duas datas que, para nós que somos militantes, é muito importante, a primeira é o Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia, a outra Dia Mundial do Orgulho LGBT. Nosso casamento serviu para selar, solidificar o amor que sentimos um pelo outro. Serviu para nos igualar em termos de direitos com qualquer outro casal heterossexual. Hoje somos casados de “papel passado”, com certidão de casamento, adoção de sobrenome, mudança de estado civil de solteiros para casados e todos os outros direitos. Somos uma família, a Família Sousa Moresi. 


VM-Após a união civil de vocês, muitos casais os procuraram para esclarecerem dúvidas?Qual o procedimento para quem quer oficializar a relação?

LA -Freqüentemente casais nos procuram pedindo orientação. Ligam, mandam mensagens, e-mails, conversam pelas redes sociais, pessoas do Brasil todo. 
O procedimento para a União Estável é simples, basta procurar um Cartório de Registro de Notas e Protestos e levar os documentos pessoais, pagar uma taxa e assinar. Muitos cartórios elaboram o documento de um dia para o outro, é muito rápido. Importante verificar o contrato de união estável e ter a certeza de que todos os dados estão corretos e que as finalidades atendam as vontades do casal.
Já o casamento civil ou a conversão, exige a apresentação de documentação no Cartório de Registro Civil, documentos pessoais, incluindo certidão de nascimento atualizada, faz-se os Proclamas por quinze dias e não havendo impedimento o Cartório encaminha para a Promotoria Pública autorizar. Em municípios que já realizaram o casamento civil homo afetivo não é necessário remeter para a autorização judicial, a própria promotoria despacha. 
Importante é sempre ir conversar com a pessoa responsável pelo Cartório de Registro Civil para que ela forneça as informações necessárias. 


VM-Hoje se comemora o Dia Internacional contra a homofobia, e o Brasil conquistou há um ano o direito de legalização de união civil entre pessoas do mesmo sexo, graças a anos de luta que vocês enfrentaram, qual a mensagem gostariam de transmitir aos casais brasileiros que queiram se casar, mas temem o preconceito?

LA-Que se é o desejo deles de casarem, que se casem então. Que façam as uniões estáveis ou o casamento civil onde já é possível. É preciso formalmente e legalmente garantir os direitos que esses procedimentos garantem. O casamento legal serve para isso, para dar uma segurança jurídica.
O preconceito existe na sociedade, na família, no círculo de amizade e deve ser sempre combatido. O preconceito e a homofobia maltratam, causam dores, e muitas vezes geram violência física. Sair do armário, tornar a relação pública ajuda na visibilidade da nossa luta, sensibiliza pessoas que não tem as informações necessárias para compreenderem o que sentimos.

 

Entrevista cedida exclusivamente para o site www.vibemix.com.br

Luiz André é um militante dos Direitos Humanos e da Cidadania e comerciante, possui um salão de cabeleireiros na cidade de Jacareí SP, junto com seu companheiro Sergio Kauffmam que também é presidente licenciado da ONG REVIDA- Reintegrando Vidas. 

 

 

Por Kellen Vianna